GREENWASHING – COMO NÃO CAIR NESTA ESTRATÉGIA?

O Acordo de Paris e as expectativas com a COP 26 consolidam a necessidade de esforços múltiplos no combate às alterações climáticas. Neste cenário de urgência, o Greenwashing só piora as chances de manutenção da vida em nosso planeta.

O eco que uniu Portugal de norte a sul, desde a primeira greve estudantil pelas alterações climáticas, continua a ser uma tónica mundial: Não há Planeta B. Não há jogar fora. Nossa casa é uma só, é coletiva e é urgente pensar global e agir localmente. 

Ação. Todos os processos, da produção ao consumo, precisam ser analisados e reestruturados de forma a diminuírem radicalmente o impacto negativo no ambiente. O nosso tempo esgotou-se há mais de 2 anos. Operar no negativo dos recursos terrestres é a nossa sentença de morte.

Fonte: DISTRIBUIÇÃO HOJE

Com a crescente exigência por informação socioambiental no processo de produção dos bens de consumo, vemos um novo consumidor no século 21, especialmente após a pandemia do Covid-19, mais crítico e decidido a mudar seu estilo de vida para um mais sustentável.

Preocupados com a contração do mercado e as críticas públicas por suas práticas nocivas ao ambiente, muitas empresas optaram por adotar uma estratégia de marketing de manipulação, que se apropria culturalmente do conceito de sustentabilidade para esconder o impacto ambiental daquela atividade, sem implementar mudanças significativas em suas operações. A isto chamamos de Greenwashing.

Sempre que buscamos uma solução simples, rápida e de baixo custo para resolver um impacto ambiental negativo de algum processo de produção e/ou operação/consumo, sem nos debruçarmos profundamente sobre a questão e investigarmos as opções que se apresentam, corremos o risco de consumir ou praticar o Greenwashing.

Isto significa que não temos opções simples e eficientes para soluções sustentáveis? Não.

Mas significa que resolver um impacto ambiental negativo demanda dedicação e compromisso. Não é propriamente sem custo ou barato, há investimento a sério e é necessário olhar para cada setor de funcionamento do negócio com visão crítica, a buscar por soluções reais.

Parece óbvio a necessidade de investimento massivo para promover mudanças operacionais que se pagam com o tempo, mas esse capítulo costuma ser um entrave na busca de soluções mais sustentáveis. E aqui ganha lugar o Greenwashing, como um antídoto para a opinião pública e até para a nossa própria consciência, mas sem promover de fato, uma mudança significativa no impacto ambiental que provoca. 

O investimento em mudanças significativas ou uma estratégia de marketing Greenwashing que pode inicialmente deixar a empresa/governo com boa imagem diante do público mas que continua, efetivamente, a promover o colapso do planeta e do que conhecemos por viver na Terra?

Sem contar as multas diretas e o efeito rebote da opinião pública que uma estratégia enganosa pode gerar quando vêm a público.

Buscar soluções mais sustentáveis demanda realizar pesquisas aprofundadas ao que se apresenta como opção e pensar “fora da caixa”, com disposição para investir na promoção desta mudança.

Pensar “fora da caixa” é estar aberto a conhecer soluções ainda desconhecidas do grande público mas disponíveis no mercado, que são aliadas em uma mudança em prol da sustentabilidade, tanto no que se refere ao impacto ambiental quanto ao social. A exemplo disto, temos o papel higiénico de bambu.

O planeta está sobrecarregado e nada muda com esta estratégia de marketing difícil de identificar na maioria das vezes, mas que emite alguns sinais:

  • Custo ambiental camuflado – ocorre quando o benefício ambiental é apresentado mas não se explica o processo. Exemplo: Reciclagem » em muitos casos esse processo gasta mais energia elétrica e água do que o não reciclado, portanto o método de reciclagem precisa ser claro para uma avaliação/confirmação do benefício;
  • Menções sem prova – quando o produto afirma que é bom para o ambiente sem explicar o motivo. Exemplo: Produtos cosméticos que se dizem naturais e/ou veganos mas possuem em suas fórmulas ingredientes como SLS ou EDTA, além de aromas e perfumes que não deixam claro a origem;
  • Troca oculta – normalmente utilizado em campanhas e não em produtos, exalta atividades ambientalmente responsáveis mas oculta informações mais graves. Exemplo: Ações que estimulam o uso de plástico a alegar economia de água, uma troca prejudicial sob o ponto de vista ambiental;
  • Imprecisão na comunicação – quando há informações que podem levar o consumidor a alguma confusão na hora de adquirir o produto. Exemplo: O uso de palavras amplas como “eco-friendly” ou “sustentável”, mas sem uma explicação.
  • Informação irrelevante – quando o fabricante destaca algo em favor do ambiente que na realidade, ele é obrigado a atender este dispositivo legal. Exemplo: o destaque para o não uso de CFC, substância proibida por lei.
  • Menor dos males – o apelo ambiental pode até ser verdadeiro, mas serve como distração para os reais impactos no ambiente. Exemplo: Um produto indica que consome menos de 20% de plástico, mas continua a ser um problema para o ambiente.
  • Mentira – o problema mais grave do Greenwashing. Exemplo: Um produto exibe um selo de certificação sem autorização da certificadora, ou afirma ter descarte seletivo mas não há controle algum sobre tal atividade.
  • Falsos rótulos – quando o fabricante produz o próprio selo que induz o consumidor a achar que o produto é ambientalmente responsável. Exemplo: Na embalagem de uma lâmpada pode conter um indicador de menor consumo de energia sem comprovação prévia.
  • Segmentação oportunista – quando a empresa cria linhas ecológicas paralelas, mas continua a agredir o ambiente com os produtos originais. Sem dúvida, é uma das práticas mais vistas hoje em dia no mercado.

Mudanças climáticas são causadas pelo comportamento humano e são uma ameaça ao ambiente assim como à própria existência humana, e isto é consenso.

A proposta então, é lançar um olhar despido de interesses para o funcionamento da empresa e com disposição para realizar as alterações necessárias em prol de uma existência realmente sustentável e justa. 

Neste mês de outubro, peça uma avaliação gratuita sobre o uso de bens de consumo no escritório e conheça soluções que farão a diferença no impacto das emissões de CO2 da empresa. 

Aceda aqui, preencha o formulário e descubra uma gama de bens de consumo que ajudam a solucionar a pegada de carbono em escritórios, indústrias, hotéis e restaurantes. Obtenha um orçamento junto a uma simulação de redução do CO2 , somente com algumas pequenas mudanças na aquisição.

Com Joe Biden no poder e, numa altura em que os Estados Unidos preparam a estratégia para a descarbonização, a preocupação com o Greenwashing ressurge. “Práticas como a compra sistemática de certificados de compensação de carbono sem fazer nada para reduzir as emissões ou a deslocalização de atividades poluentes para países com legislação ambiental mais leve, a chamada fuga de carbono, infelizmente são comuns há muito tempo”, alerta Enrique Dans, especialista em estratégias de liderança e inovação, num artigo de opinião publicado em março na Forbes.

Fonte: Ordem dos Advogados de Portugal / Maio 2021

O futuro exige do presente uma ação contundente. Por mais soluções sustentáveis e menos Greenwashing nas organizações.

Publicado por Paloma Brum

Brasileira, vegan, vive desde há 4 anos em Portugal. Orienta-se por viver e trabalhar de forma a promover a sustentabilidade.

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